“Gostos não se discutem.”

Quantas foram as vezes que tive de lidar com esta máxima. Tudo é passível de discussão, tudo é passível de crítica. 

Vamo-nos centrar nos gostos musicais. Se os teus gostos musicais se baseiam nas merdas que ouves na radio ou na MTV e não tens nenhum interesse em procurar novas músicas e artistas, desculpa mas vou-te criticar e vou discutir o teu gosto. Gosto que, na minha perspectiva é nenhum. Vivemos na época da informação, a Internet permite descobrir quase tudo o que foi e é feito a custo zero, se tu rejeitas isso e te informas apenas por os média, é meu dever criticar-te! Porquê, perguntas tu. Porque isso não é ter gosto, isso é deixares-te levar pela maré e essa é uma atitude que repúdio. Estás a negar a tua originalidade inata a tua individualidade, estás a ser estandardizado e não te importas, estás a cometer uma atrocidade perante a espécie humana e não posso permitir isso.

Tens de ter interesse, tens de procurar, tens de conhecer e só aí poderás dizer que tens um gosto. E só aí esse gosto é legítimo e digno de ser chamado de tal. O mesmo vai para o cinema, literatura, pintura, escultura, arquitectura, teatro, dança e, até, televisão.

Se não lês porque não sabes o que ler, procura. Procura dentro de ti quais são os teus interesses e parte daí. Fala com pessoas, procura em blogs, sites de literatura, lê. Podes não acabar o livro mas estás mais perto de te descobrires e dares sentido à tua existência.

Levanta-te do sofá e conhece-te melhor. Pára de ser um entretido e começa a ser humano.

Não há nada mais humano que arte.

 

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 Hippo

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Sites do Secret Story que obrigam a fazer Like.

Esses mesmo. Já pensaram que eu posso ter dignidade? Ainda que pouca.

Compreendo que vos possa ajudar ao negócio e tudo e mais, mas eu se vou ver uma notícia sobre a casa dos segredos a última coisa que quero é que os meus amigos fiquem todos a saber e eu nada possa fazer contra! É que não dá para apagar e é uma chatice, normalmente agora inseria aqui o mítico carimbo de ter uma reputação a manter, mas a verdade é que não tenho reputação nenhuma mas simplesmente não quero que se saiba que eu fico curioso por saber que a Fany anda a levar um miúdo de 16 anos para o hotel e a publicar no instagram. Tenho uma máxima que vai por “imagina que os teus pais te estavam a ver” e tento segui-la; neste caso chego mesmo a sentir a vergonha alheia, aquele olhar de lado e consigo mesmo ouvi-los dizer que não foi para isto que me pagaram estudos.

Piores ainda são aqueles manhosos que metem um botão que diz outra coisa qualquer e só depois de clickar no dito é que percebemos que fizemos Like andamos aqueles 30 segundos como umas baratas tontas a tentar remediar o irremediável porque não dá nunca para cancelar. O mal está feito. Ficamos congestionados durante um bocado, como as pessoas que sofrem de tensão baixa depois de se levantarem de repente (que, para quem não sabe, é um chato processo de ver formigas biónicas a caminhar pelo espaço durante cerca de um minuto) até que no desespero fazemos log out do Facebook e esperamos que os misseis passem ao lado.

É que existe todo um processo em torno da abertura de uma página dessas, não é uma qualquer decisão dessas que se tomam de ânimo leve como uma partida de tetris ou o casamento. Não. Antes de abrir a dita vou investigar, ver quantos dos meus amigos a partilharam para ter a certeza que valerá a pena, vou ao google pesquisar para ver se existem sites alternativos que não me façam desperdiçar um precioso like (geralmente não há), vou baixar a persiana para os meus voyeurs não ficarem desiludidos comigo, meto-me na cama e depois puxo os lençois para cima; como se fosse uma tenda. É um incómodo, depois de toda esta serventia de preparos, eu ter de fazer like e expor-me assim ao ridículo. Faz de mim um dos demais e eu não quero. Caso não saibam, basta aparecer uma vez no feed dos meus eruditos amigos que li uma notícia sobre o par de cornos do Claudio à Jessica para ser automaticamente adicionado à lista de “não vou convidar aquele gajo para a minha sessão de revelação de fotos tiradas com a minha Lomo” ou removido da de cafés n’A Brasileira, e isso são cenas que eu prezo.

“Se não queres, não vejas, simples.”, dizem vocês, mas eu quero; não quero é que os outros saibam disso.

Pensem nisto.

Don

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15 Dicas de ouro para seres um adolescente da çena

Tu, sim tu. O mundo é uma academia de talentos sociais, como tal, decidimos perder um bocado de tempo a formar os nossos Average Teens.

1. Compra tudo igual aos teus amigos. Não tentes ser diferente, banal é o novo original e não é como se fosses chamar a atenção de alguém só por teres personalidade. Se puderem comprem até ao mesmo tempo, sempre têm alguem para vos tirar a foto no provador e quem sabe algumas lojas até façam desconto de quantidade.

2. Não aprofundes os temas das vossas conversas, sempre que um assunto necessite ser fundamentado parte para um “pois, é como quando…” e continua com uma matéria que nada tem a ver, dará um ar abrangente.

3. Quando falares sobre política diz que és centralista ou moderado. Não vale a pena alongar-nos muito porque ambos sabemos que não vais falar sobre política.

4. Fala como os negros e diz que é português clássico. Se Shakespeare podia dizer “thee” não vejo porque não possas dizer “bó”. Se te colocarem em questão diz que o povo mais antigo é o africano e terás sempre razão.

5. Usem decotes abusados se forem raparigas e caso sejam rapazes optem antes por decotes abusados. Queremos ver essa pele de galinha em janeiro e imaginar essas coxas na nossa canja.

6. Revira os olhos enquanto falas para dar a entender que já tens o tema mais que debatido e não estás com paciência para o fazer novamente com alguém que certamente não iria entender.

7. Sempre que fores confrontado acusa o outro interlocutor de ter inveja de vocês (resulta sempre). Ele irá desistir. Ou porque, de facto, tem inveja ou porque perdeu toda a esperança em ti.

8. Cria espaços neutros que caem na simpatia de todos; quando a tua posição é posta em xeque leva-a para recreios clássicos, parques de repouso intelectual, como dizer que o que vos interessa no fundo são os animais abandonados, a adopçao por casais gays e no que desfavorece as crianças no orfanato, as bebidas alcoólicas que beberam ontem, o aquecimento global, a praxe (que querem ir para Coimbra porque já conhecem bem aquilo lá porque o vosso irmão vos contou).

9. Sempre que vestires uma roupa mais formal faz um comentário depreceativo em relação aos putos (que voltarão a ser vocês amanhã, mas o que importa é o dia de hoje e isso será explicado no próximo ponto). Tira uma foto e partilha com a legenda “BOSS”. Senta-te, agarra-te, prepara-te para uma avalanche de likes.

10. Vive o culto do YOLO; não te preocupes com o amanhã. Ignora as consequências dos teus actos, orienta as tuas atitudes conforme o momento e esquece as preocupações. Tu és um jovem, já basta teres de te preocupar com o teu estilo, para quê te massacrarem também com assuntos menores como o futuro!? Não estudes também, para quê essa merda se vamos todos morrer e vamos?

11. Vai ao ginásio e tira fotos. Gigas delas. Não passes muito tempo na passadeira porque isso vai-te fazer transpirar e tu estás num período hormonal complicado que já por si te faz ser mal cheiroso. Tira bastantes selfies nos imediatos cinco minutos que seguem o treino, depois disso esquece.

12. Regista-te no foursquare mas tem cuidado, não estejas permanentemente ligado, poderás acidentalmente fazer login nos sítios onde verdadeiramente vais com regularidade e ambos sabemos que tens vergonha deles. Liga apenas quando passares à porta de locais de culto para o pessoal mais velho. Nota: não faças check-in nas discotecas durante o dia.

13. Não faças a barba. Sim, Magnum PI, essa mesmo que ainda não te cresceu, já todos percebemos que as babes curtem barba e apesar de só teres uma leve penugem no bigode, porque não deixá-lo? Afinal o estilo Burt Reynolds nunca deixou de estar em vogue.

14. Tira fotografias no lugar do condutor do carro do teu pai quando ele o deixar aberto. Apesar de só teres 15 anos toda a gente vai acreditar que já fazes drag racing ilegalmente e isso tudo enquanto te tiras pics a ti próprio a chillar porque sentes a estrada, não precisas de olhar sequer para a ler, é como se os buracos no alcatrão para ti fossem brail.

Golden ticket: Diz aos teus amigos que lês regularmente o “Tu tiras-me do ego!” e que, para além de perceberes, concordas com tudo porque já tens mais maturidade. Afinal, treinamos líderes.

Don

teen

Um hino à mediocridade.

Quantos de vós já pararam para observar o que se passa à vossa volta? Num café, num shopping, numa aula, na rua, num concerto, numa casa? Quantos de vós já ficaram profundamente desiludidos com o que viram? É o que me acontece diariamente.

No café, as pessoas quando falam (sim porque numa grande parte dos casos as pessoas limitam-se simplesmente a estar lá, a mexerem nos telemóveis), falam sobre merda. Coisas triviais, banais, sem qualquer tipo de interesse: – Ontem à noite bebi isto, fiquei assim, e curti bué; – Viste aquele vídeo de uma gaja a partir a boca a outra gaja porque apalpou o cu ao namorado da outra? Etc.

Parece que as pessoas já não se interessam por nada, se pensam durante 5 minutos numa coisa nova e original, precisam de 5 horas seguidas de um jogo simples para desanuviar.

Nas aulas, estão lá para devorar matéria. Irão fazer algo de útil e interessante com o que aprenderam? Sim, espetar tudo no exame. Depois caga, não preciso disto para nada. O que interessa é fazer cadeiras, acabar o curso e arranjar um emprego das 9 às 5 que me dê o dinheiro suficiente para ter uma vida banal, com algumas viagens para mostrar fotos aos amigos, um telemóvel e um tablet todo xpto para jogar e actualizar o status do facebook para: Cagando. Além disto, grande parte da população universitária portuguesa nunca leu um livro na vida, como é que é possível?

Nas discotecas, dançam ao som de parolice. Músicas porcas, de fácil memorização e com um lema qualquer que propaga preconceitos. Ah, sem esquecer o factor chave de sair à noite, tirar fotos para mostrar o quão fantástica a vossa vida (de merda) é.

Depois o culto dos shopping. Passar tardes de sábado e domingo inteiras num sítio fechado, inundado com uma multidão, a apreciar, pela centésima vez, o que gostariam de comprar. Depois para satisfazer os seus desejos mais primitivos, vão à Primark, comprar uma merda qualquer super barata que passado uma semana está podre.

Nos concertos decentes, ainda há (Graça à Deu) uma boa parte da população que está lá para apreciar música. Mas outros estão lá porque é Hip, a tirar fotos para depois “recordar” e se alguém lhe toca por estar a dançar (dançar num concerto, que atitude tão radical) começam com um palavreado mundano sobre os seus direitos.

Será que há alguém que se atreve a imaginar um mundo melhor? Nada disso, aceitam a “ordem natural” das coisas. Há um novo Deus a emergir, o Deus do Entretenimento. Que te dá, 1001 jogos, 1001 séries, 1001 reality shows, 1001 filmes, para que tu não tenhas de te preocupar com o teu mundo, para que sempre que te sintas stressado ou tenhas um princípio de ruptura com os teus valores te possas evadir e entrar num mundo mais fácil.

Esta geração de entretidos e gente desinteressante que se recusa a pensar, imaginar, criar, tudo em nome do passatempo.

O Brave New World do Huxley nunca pareceu tão presente.

Hippo

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