O choro lampiónico

O choro lampiónico. Quer ganhem, quer percam. Tão característico que fez com que até chovesse no dia em que são campeões. Os simpatizantes por este clube assemelham-se tanto a velhas parideiras que me chego a interrogar se o benfica tem tantos sócios porque oferece nas cotas desconto de terceira idade para todos, de tenra idade aos mais maduros.

Mas a lágrima lampiónica é mais do que isso. É um marco nacional, não fossem eles a grande maioria da nossa população. É aliás daí que vem a expressão popular e secular “choro benfiquista”, tão utilizada aquando da dramatização por merdas menores, ao jeito de quando alguém passa à frente do outro na fila do supermercado só com um artigo e o outro começa a barafustar ao bom modo de chaga e tu dizes “Oh amigo deixe-se de choro benfiquista, fique com a minha vez e acabou” ou ainda quando estamos a comer churrasco, tiras uma perna, a outra pessoa tira outra, e vem o cagão do costume “Ei, pa, eu quero a perna, sempre a mesma coisa nunca tenho a perna, já no dia 27 de agosto de mil novecentos e tal aconteceu o mesmo, e é sempre comigo” e tu dizes “Epa deixa-te de choro benfiquista, toma lá a minha perna, leva a asa também, que eu como o que sobrar”. Porque sabemos que um dia não são dias.

E depois os reservados? A disputa pela titularidade do ridículo. Tão mau que chega a ser inadjectivável. Para quem tanto se queixa do campeonato ser resolvido fora do relvado, parece-me demasiada preocupação em querer conquistar tudo o que é monumento, parque de estacionamento e paragem de autocarro. Terem uma faixa no vosso quarto? Concordo, até acho uma certa piada, como quando vou ao Zoo, mas darem-me cabo dos meus monumentos? Poupem-nos da vossa tristeza, ninguém quer saber se vocês ganham um campeonato a cada ano bissexto – é que é-nos mesmo indiferente, nós damos, não precisam de reservar. Parece aqueles labregos que vão para a zona de picnics de Fátima logo de manhã meter uma toalha com dois calhaus por cima – como se qualquer pessoa/clube com o mínimo de noção não chegasse lá e lhes mandasse a reserva para o pinhal. Ou nos autocarros expresso quando os bilhetes têm o lugar marcado mas o pessoal manda isso para o pinhal e senta-se onde quer; só que depois entram as velhas e fazem um drama, chegam até a proferir impropérios aos que lhes roubaram o lugar. “Epa, tome lá 1o lugar minha senhora”

Parabéns, e clubismos à parte, que este blog orgulha-se de não ligar nada à bola, mas aprendam a festejar.

slb

Manifesto anti Eduardo Sá e Isabel Stilwell que acham que a minha geração devem ser metida na linha.

Nem de propósito! A respeito da nossa última publicação sobre estágios, eis que estas duas ilustres personagens se vieram pronunciar sobre o tão badalado caso da Danone que ofereceu um estágio a troco de iogurtes.

Poderão ler a notícia que li na integra aqui, mas por alto retiramos da participação deles no programa “Dias do Avesso”, na Antena 1 dia 20 de Março, entre dizeres que a nossa geração sofre de não ter sido metida na linha, o seguinte:

Os intérpretes desta rubrica da rádio pública acham que criticar os estágios não remunerados é uma “atitude arrogante” por parte de jovens cujo problema é que “os pais e a escola ainda não os puseram no lugar”

Eduardo Sá acusa os jovens de falta de humildade e de pertencerem a uma geração que “imagina ter um valor facial muito mais significativa do que aquilo que de facto vale” (…) acha que as pessoas devem “esfolar os joelhos” para ter direito a trabalhar.

Isabel Stilwell prefere queixar-se que esta operação desenhada pelas grandes empresas lhes “dá imenso trabalho”.

A conversa é uma vertiginosa defesa da precariedade e da submissão de quem trabalha. A acusação de falta de humildade esbarra, além do mais, no preconceito e na arrogância.

Aos caros Eduardo Sá e Isabel Stilwell,

Nós, à semelhança e imagem de gerações anteriores num país que sempre se dignou a trabalhar para conquistar o pedaço, não nos achamos no dever de esfolar joelhos nenhuns. Quem trabalha de joelhos são as prostitutas e fartos de ver o nosso trabalho qualificado ser prostituído já estamos nós.

É obvio que eles pensam dessa maneira. Eles são da geração que actualmente é, maioritariamente, empregadora. Pensam da mesma maneira que todos os da sua idade (quarentas) que são as idades dos cargos de direcçao.

Se houve uma geração que não foi metida na linha foi a deles, precisamente porque nunca existiu a necessidade de se estabelecer uma linha até aos dias de hoje. Foram esticando a corda até que nós temos de estabelecer a nossa propria linha e impor-nos com um conceito tão simples como “se querem que trabalhemos, paguem-nos”. Dizer-lhes isto na cara a elels, que têm idade para ser nossos pais, é uma afronta. Sentem-se humilhados e é como um filho virar-se ao pai. Mas estou-me a marimbar, eles é que são a geração em que ter uma licenciatura era sinonimo de emprego e ainda um presunto ao fim do mês. Eles é que são a geração que se auto-initulava de “Dr. Eduardo”, “Eng. Pedro”, quando lhes perguntavam o nome. As geraçoes nascidas em 80/90 já não se têm em tao grande conta, já nenhum de nós se dá a esses snobismos. Eles é que são a geração que nunca criou nada e herdou as empresas dos papás que, esses sim, lutaram para as criar das decadas de 70 e sao as que ainda vao sobrevivendo. Eles são a geração dos “serviços”, os conatibilistas, os comerciais, os agentes de seguros, que abriam um qualquer balcão nos anos 80 e viam dinheiro porque tudo dava. Eles é que nunca se tiveram que mexer, as gerações de emigração foram da década de 60 e agora a nossa, os 40 anos pelo meio (que é a idade deles) foi a geração mais comodista do seculo XX. Eles é que nos criaram à imagem deles, a fazer-nos acreditar que tudo ia ser fácil como foi pra eles.

Eles é que endividaram o nosso país.

Eles é que estoiraram os bancos com créditos.

Eles é que compraram carros para nós mal tirámos a carta.

Eles é que deram tudo os filhos para mostrar ao vizinho o quão bons papás eram.

Eles é que faliram empresas.

Eles é que meteram a economia neste estado e arranjaram soluções fáceis, como sempre fizeram com tudo na vida, como convidar um trabalhador a custo zero rotulando-o com a palavra moderna de “estágio”.

Portanto, não me venham dizer que a minha geração está mal habituada quando somos apenas o produto resultante da vossa. Se os meus pais não me meteram na linha ao incutir-me valores como “um estágio de graça é bom para ti” foi porque na inocente cabeça dos meus pais nunca lhes passou pelo pensamento que um dia, depois de estudar, eu ia ter que me sujeitar a isso.

Don

DiasDoAvesso

Lista dos 10 empresários mais influentes que iniciaram a carreira através do programa Impulso Jovem

Muito se fala, muita tinta corre nos jornais, muito byte nas redes sociais, muito cuspe em conversas sobre histórias mais ou menos anedóticas; nomeadamente entre os profissionais mais jovens mas também entre os sénior mais atentos, do rácio entre problemas contra vantagens dos Estágios Profissionais instituídos pelo nosso infame (dirão alguns) governo de Sócrates – que tantas escolas supersónicas construiu e ainda o acusam de ter enterrado o país. Enfim. Que culpa tem o tipo que os governos seguintes não saibam rentabilizar investimentos? As escolas são autênticas obras de arte e a falta de alunos para as ocupar fazem delas autênticos museus, usem o handicap em vosso bom proveito e façam visitas guiadas pelas nossas escolas aos turistas. Cobrem entradas a estudantes de economia para terem um contacto mais real com aquilo que não deve ser feito. Opções não vos faltarão com um petit peu de imaginação portanto parem de chorar um bocadinho. Como se existisse essa falta de chá. Como se!

Continuando, e voltando ao cerne da questão, que são os estágios profissionais. Começo apenas por deixar uma elucidativa definição sobre o que é o processo de estágio, leia-se

“Período durante o qual uma pessoa ou um grupo exerce uma actividade temporária com vista à sua formação ou aperfeiçoamento profissional. “estagio”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013″.

A medida de Sócrates foi um sucesso tal que foi re-inventada por outro iluminado nosso, Miguel Relvas, sobe o nome de Impulso Jovem. Portanto leia-se agora “estágio” + “jovem”.

Os mais cépticos continuam, mesmo depois deste breve esclarecimento de conceitos, a achar que os estágios profissionais / impulsos jovens, são apenas medidas para diminuir de gás as taxas de desemprego jovem. Que insolência. Ou o velho e dogmático discurso de que os patrões se aproveitam desta iniciativa sócio-capitalista (viram o que fiz aqui?) para renovar o seu stock de licenciados a cada primavera para nunca ter de efectivamente contratar ninguém e viver à sombra da bananeira que cresce dos impostos de cada um. Enfim, como se os patrões não tivessem coração e fossem, de facto, fazer isso, mesmo apesar de nada os impedir.

Portanto, e para acabar de vez com as dúvidas de que os Estágios Profissionais resultam de facto, deixamos a lista dos 10 empresários portugueses que atingiram o sucesso iniciando a sua carreira através do programa Impulso Jovem.

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Don

relvas

Ténis? São sapatilhas.

Puro snobismo sulista. Já desde os tempos do Leão da Estrela que os lisboetas vêm sempre teorizar sobre o que não sabem, com o que não têm, ar de quem não lhes cabe um feijão, quando virados ao contrário pouco mais têm que manias. E manias completamente infundamentadas, porque chamar Tia à mãe do vosso conjuge não faz de vocês mais capazes socialmente mas sim parceiros de uma relação incestuosa.

Até os espanhóis, que são uns esquisitos de primeira a falar e dormem a sesta, dizem que são sapatilhas. Porque é que só os lisboetas se recusam a lidar? Porquê?

Sapatilhas não são sapatos de ginástica, esse argumento é podre e inválido a partir do momento em que todos vocês fazem ginástica de Nike Shox. E por essa ordem de idéias tínhamos quase mais categorias de sapatilhas do que sapatilhas em si. “Isto não são sapatilhas, sao Asics, sapatos de voleibol”. Para não dizer que as mais levianitas diriam que “Os meus ténis de trampolim chamam-se Pedro e os de dar cambalhotas Rodrigo”; isso era escusado e a Madalena não ia curtir ‘de’ saber que o seu namorado Pedro anda a trampolinar com outras. Seus esquisitoides. Seus freaks do calçado, venham a São João da Madeira enriquecer-se pessoalmente.

Claro que os swaggers do centro/norte também dirão Ténis porque, pensarão eles, isso irá aumentar em cerca de duas colheres de sopa a sua dose de Yo e portanto se integrarão melhor na comunidade que se está a criar atrás do pavilhão desportivo. Mas esses só dizem ténis até às 17h porque do momento que entram em casa voltam às sapatilhas que foi o que aprenderam, e bem, e se se meterem com floreados o pai pousa o copo e dá-lhes dois tabefes antes de os recambiar para o quarto a correr de pontapés e insinuações de que são fruto de adultério por parte da mãe. (No norte temos o pulso firme para com estas manifestações culturais e este é um dos limites que não deve ser ultrapassado).

Pior só os que dizem que ténis e sapatilhas é tudo a mesma coisa. Crescam uma personalidade em vocês.

Para acabar com a conversa, e porque não vai dar tudo ao mesmo, deixo-vos os excertos que se seguem. Espero que fiquemos por aqui, não me façam tirar o cinto.

sa·pa·ti·lha
(sapato + -ilha)
substantivo feminino
1. Sapato de sola fina e flexível de corda ou de borracha.

“sapatilhas”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013

té·nis
(inglês lawn-tennis)
substantivo masculino de dois números
1. [Desporto] Jogo de bola com raquetas, num campo apropriado, dividido ao meio por uma rede.

“TÉNIS”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013

Se depois disto querem continuar a ser burros, façam-no então por opção, mas tenham pelo menos a coerência linguística de dizer que usam Lawn Ténis, ou Ténis do Campo, ou simplesmente digam que são campónios.

Don

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